Meus Oito Anos

Bom dia!
Sempre publico algum poema que toca a minha alma, mas nunca fiz um comentário sobre eles. Com esse eu me vi tentada a fazê-lo. Não sei se só eu sou encantada por ele, mas nos últimos vinte anos eu leio e releio Casimiro de Abreu, esse poema me conquistou e desde então eu necessito de poetas e poesias e hoje leio sem a inocência de antes e compreendo melhor os versos: Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais!



Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias de minha infância
Oh! meu céu de primavera!
Que doce à vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
- Pés descalços, braços nus -.
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores -
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


Só eu chorei com a interpretação do Paulo Autran? Que maravilhoso...


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Sobre Francine Nunes

Quase química. Amante de livros, séries e filmes. Assim como o Cazuza, meus heróis morreram de overdose. Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força.

2 comentários :

  1. bom nao sei quem é paula autran... que triste psokspoksops queria ver a interpretação parece ter sido muito boa
    como nao adorar um poema desses
    acho que muitos de nós vulgo eu kkkkkk sentem vontade de chorar ao ler ainda mais pq estão passando por momentos tão tristes
    eu sinto muita saudade desse tempo onde a minha unica tristeza na vida era ter que fazer dever da escola ao invés de brincar com os amiguinhos a rua

    http://meumuraldeideias.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Tão bom os tempos de infância né? Acho que por isso tenho tanto carinho por esse poema... =D
      Beijos ^^

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