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A rainha vermelha, Victoria Aveyard



"A verdade não importa. Só importa aquilo em que as pessoas acreditam."

SOBRE O LIVRO
O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe - e Mare contra seu próprio coração.

MINHAS IMPRESSÕES
A rainha vermelha é um fantasia com um fundo distópico. A trama é ambientada em um futuro distante, onde os deuses desceram à terra para governar. Porém ao invés de serem bondosos, misericordiosos e caridosos, são cruéis com os humanos e governam para si deixando a população a míngua. Apesar de serem deuses, eles não são tão diferentes fisicamente dos humanos normais, assim como eu e você, o que os diferenciam fisicamente é o sangue, enquanto os humanos normais possuem sangue vermelho, os deuses possuem sangue prateado. Além do sangue prateado ser uma das principais diferença, eles tem poderes letais, assim como os mutantes: controlam o fogo, a água, o metal, são rápidos... enfim, mutantes do mal, tipo o Magneto. Brincadeiras a parte, essa diferença e/ou evolução faz com que os meros mortais vermelhos se curvem às suas vontades.

Essa obra me lembrou diversas outras, acredito que a autora tenha bebido muito da fonte ficção científica para construir esse mundo. A desigualdade social me lembrou Elysium, o totalitarismo me fez recordar de 1984 e os poderes dos prateados me fizeram retornar a infância, quem não conhece os heróis de Stan Lee e Jack Kirby? Sim! Estou falando de x-men, só que como mencionei acima: mutantes do mal... ta bom, nem todos.
É nesse regime totalitário que conhecemos Mare, nossa protagonista de sangue vermelho. Mare é uma exímia ladra que vive em uma das vilas de Norta e que acredita que seu futuro será na guerra, assim como o de seus irmãos, morrendo no eterno conflito entre os prateados, lutado por soldados vermelhos.
Porém, em uma reviravolta do destino, nossa protagonista descobre que tem poderes, assim como os prateados, porém ela não é uma prateada, é uma vermelha e isso é algo novo, impressionante e extremamente perigoso. Esse é o plot do livro.
Analisando a obra no geral, eu tenho algumas críticas negativas para fazer e vou começar por elas, pois primeiro a gente bate e depois acaricia. De todos os pontos negativos que encontrei em A rainha vermelha, irei destacar apenas dois, pois foram eles que atrapalharam a minha experiência e conexão com a história, são eles: construção e verossimilhança.

Quando lemos um livro, principalmente uma fantasia que se passa em outro universo ou realidade político-social diferente da nossa, é preciso que o autor nos insira nesse cenário. Victoria Aveyard o fez nos primeiros capítulos do livro, mas de forma muito corrida, como se quisesse terminar essa parte e chegar nos "finalmentes", que era o ponto onde Mare descobria os seus poderes. Depois que a protagonista começa a viver sua nova realidade, a narrativa fica em alguns momentos arrastada, ou seja, não houve um equilíbrio. No começo da narrativa eu precisei reler algumas cenas, pois não havia tempo hábil para que eu, como leitora, me inserisse no momento da história, então o momento passava e eu tinha que voltar e reler. No entanto, apesar disso impedir que a minha imersão na trama, a inconstância na construção das cenas não foi um ponto negativo tão grave. O que mais me irritou foi a verossimilhança. Vou explicar: Quando criamos um mundo ou um personagem, tem algumas características que atribuímos a eles que precisamos levar até o fim, se formos quebrá-las precisa ser de uma forma verossímil com o que foi criado.
Mare, no começo da história, é descrita como uma pessoa esperta, "malandra", possui a malícia dos batedores de carteira e sabe "LER" as pessoas. Por esse motivo consegue roubar às vistas de guardas super humanos sem ser flagrada. Pois bem, uma personagem assim deveria ser um pouco mais perspicaz, mesmo estando em um ambiente desconhecido. A impressão que ficou foi a de que ela se tornou mais inocente depois de descobrir seus poderes. A personagem agiu de forma tola e confiou em pessoas não confiáveis. Não sei se a autora tinha a intenção de criar uma reviravolta surpreendente do tipo: "Luke, eu sou seu pai!", se foi assim, ela pecou, pois desde a primeira cena — não direi qual para não entregar spoiler — eu já sabia quem tramava e traía. Para mim, não foi surpresa,  ao contrário, foi frustrante. Eu esperava mais da Mare.

Quanto aos pontos positivos da obra, eu gostei do plot. A autora pegou vários conceitos já abordados e conseguiu criar uma coisa nova. A ideia de deuses entre os humanos, agindo como tais, tendo como diferença poderes e sangue prateado me agradou muito. É algo a se explorar e aprofundar. Outro aspecto positivo foi como ela abordou a desigualdade social e a revolta popular, apesar de pouco explorado — acredito que ela vá trabalhar melhor essa questão no segundo volume — foi maravilhoso torcer pelos rebeldes e ainda melhor apreciar as críticas sociais através das frases da Mare.
Quanto a edição, só tenho elogios a fazer. A diagramação, o papel e a arte da capa são de ótima qualidade. Não encontrei erros de revisão, então, se houver, são mínimos. No mais, indico a obra para quem gosta de fantasia e quer ler algo leve e descontraído, pois A rainha vermelha não é uma fantasia complexa. Faço minhas as palavras de Cassidy Anderson do jornal Grand Forks Herald:
"No fim das contas, esse livro foi exaltado demais. Mas continua sendo uma leitura divertida desde que você não esteja procurando por algo com mais profundidade e significado."
Titulo: A rainha vermelha | Autora: Victoria Aveyard | Editora: Seguinte | Páginas: 424 | Gênero: Fantasia | Edição: 9,0 | Narrativa: 7,0 | Desenvolvimento: 5,0 | Trama: 6,0
NOTA: 6,7

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