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Bom dia, Verônica, de Andrea Killmore


“O ser humano é podre e egoísta, prefere o problema que já conhece a enfrentar o desconhecido com honra.”

Sobre o livro
Em “Bom dia, Verônica”, acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres, que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e sua determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos.
No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado.

Minhas impressões
Terminei a leitura desse livro com um sentimento de frustração e descrença. Fiquei alguns minutos olhando para a capa, rebobinando toda a trama na minha cabeça e tentando sufocar a raiva que me consumia. Não sabia organizar os sentimentos contraditórios que brigavam dentro de mim: uma parte tinha amado a leitura, outra tinha detestado. Então, resolvi dar um tempo para que as sensações conflitantes fossem apaziguadas e somente hoje, depois de passada as primeiras impressões pós leitura, vim falar desse livro que conseguiu me prender por exatos dois dias e me irritar profundamente. Já adiantando: O livro não é ruim!
A trama gira em torno de uma policial civil, que por conta de uma tentativa de suicídio ficou destinada a ocupar o cargo de secretária dentro do DHPP (Delegacia de homicídios e proteção à pessoa). Verônica, mãe, esposa e policial, estava conformada com sua posição, mas no fundo ansiava por mais do que preencher toneladas de formulários burocráticos.
Então, como vocês devem ter lido na sinopse, ela se depara com dois casos complexos, mas, que podem mostrar sua competência como investigadora.
Temos então uma introdução instigante, que ganha a nossa atenção e faz com que nossa imaginação e curiosidade nos mantenham grudados na leitura. Nas primeiras páginas sentimos o suspense, o medo, a adrenalina e a curiosidade na pele. A leitura envolve fazendo o leitor se inserir na trama.
Após a apresentação da trama, somos bombardeados por informações e mistérios que aos poucos são revelados. É nesse momento que a protagonista começa a ter atitudes tolas e perigosas. Suas ações incompreensíveis irritam de uma forma tão intensa que eu me peguei torcendo para o Serial Killer. Eu senti vontade de dar uns safanões nela e dizer: Garota, acorda! Isso vai dar merda!!!
Foram mancadas atrás de mancadas, atitudes heroicas e burras que tiveram consequências desastrosas. Tanto que o desfecho me fez querer dar mais uns safanões e dizer a famosa frase: Eu te avisei, colega...
Porém, após as primeiras sensações pós leitura eu comecei a analisar a trama como um todo. Nossa protagonista é suicida, percebemos em suas relações afetivas o desapego. Esse desapego é tão profundo que não se limita às pessoas a sua volta, ela não tem apego nem por ela mesma. Analisando dessa forma percebi que a autora foi coerente ao descrever, nas entrelinhas, a personalidade da Verônica e não fugir dessa personalidade quando mostrava suas ações. Todas as atitudes incabíveis da protagonista são mais do que justificáveis e reais em um personagem com esse perfil psicológico. Eu achei genial!
No geral, Bom dia, Verônica conseguiu sair do lugar comum. Por isso indico a obra para quem gosta de romance policial e para quem quer ter algo um pouco mais profundo quando se trata de perfil psicológico dos personagens. Não é só a mente de um psicopata que Andrea Killmore quis destrinchar, foi a mente de um suposto herói um tanto quanto desequilibrado.

Titulo: Bom dia, Verônica | Autora: Andrea Killmore | Editora: Darkside Books | Páginas: 256 | Gênero: Romance policial | Edição: 10,0 | Narrativa: 7,0 | Desenvolvimento: 7,0 | Trama: 7,0
NOTA: 7,7

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